segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Parabéns Ayuny!

Sempre acreditei que, quando parabenizamos alguém, fazemos mais do que felicitar-lhe por completar mais um ano de vida. Penso que, ao abraçarmos um aniversariante e lhe dizermos as palavras “Feliz aniversário!”, expressamos com esse gesto o quanto achamos que o mundo é muito melhor por essa pessoa existir e como é bom tê-la em nossas vidas.

Eis que na quinta-feira da semana passada, o Ayuny, escola onde tenho tido a sorte de estudar a magnífica dança do ventre, comemorou em um lindo e emocionante espetáculo seus 10 anos de existência. Estúdio mais antigo de Brasília, desse segmento, o Ayuny é pioneiro desde sua gênese até os dias atuais. Por isso me orgulho de ser uma de suas aplicadas alunas, que contam com um corpo de profissionais, há algum tempo, nivelados por cima.

O resultado de tudo isso pode ser conferido no espetáculo que emocionou e envolveu público e integrantes. Na minha modesta opinião de aluna apaixonada, pela dança e pela escola, toda a beleza das coreografias, figurinos e bailarinos, alunos e professores, incluindo os convidados, fora nada mais do que o retrato daquilo que o Ayuny nos transmite todos os dias. Mérito, sobretudo, de sua atual gestão, que consegue espalhar pelo ambiente da escola toda a aura que deve pairar onde a dança é vivenciada como a expressão máxima de nossa essência.

Amor, solidariedade, benevolência, companheirismo, didática... Esses são alguns dos elementos que vivencio toda semana quando, depois do trabalho, deixo o bairro Lago Sul rumo à Asa Norte. Mesmo cansada, depois de uma semana de labuta, sento decididamente o desânimo no banco da paciência, porque sei que, uma vez naquela sala cheia de garotas loucas para mais algumas das importantes lições de bellydance, volto para a casa me achando especialmente mais bonita, mais mulher.

Às vésperas de cada espetáculo, além do enorme número de ensaios que acontecem em dias e horários alternativos aos das aulas de praxe, também somos convocadas para o grande ensaio geral. Nessa ocasião, todo o corpo de bailarinas da escola pode ter alguma noção de como será o espetáculo e tem a oportunidade de conhecer as coreografias das outras turmas e, com sorte, alguns dos lindos figurinos.

Ah, é claro, também nos prepararmos emocionalmente para a sensação de dançar em público e recebemos orientações para que nenhuma gafe apague o brilho da festa.
E tem a importantíssima passagem de palco, sempre realizada no dia da grande festa, deixando a gente absolutamente estressada, quase nas raias do desespero. Afinal, além dos compromissos diários, ainda temos hora marcada e estourada no salão de beleza para dar mais um empurrãozinho no capricho da natureza para, mais tarde, estarmos prontas e belas para os flashes.

Uma hora antes do espetáculo, o improvisado camarim é um desfile de lindas mulheres, maquiadas e vestidas em seus figurinos variadamente incríveis. Nervosas, afogamos nossa ansiedade em ensaios de última hora e em abraços de felizes reencontros. Alfinetes asseguram que nenhuma peça de roupa deixe alguma bailarina em sai justa ao executar sua dança. E arremates finais ajudam a concluir aquelas peças que insistiram em não ficarem pronta antes daquele momento. Eis aqui uma breve descrição uma das mais saborosas experiências de vida: os bastidores.

A solidariedade reina. Professores e alunas se aglomeram num espaço que se mostra gigante como um coração benevolente, sempre aberto para acolher a todos em nome da arte. Falta pouco para subir ao palco, mas sempre há tempo para uma última lição. Nossa linda professora consegue uns minutos da atenção do grupo para realizar a concentração que nos ajudará a ter mais segurança para uma boa apresentação.

Hora de brilhar. O coração que, há poucos instantes, disparara a sei lá quantas dezenas de batimentos cardíacos por minuto obedece ao comando da mente e começa a desacelerar. Próximas as cortinas, nos preparamos para entrar no palco, concentradas na coreografia tanto estudada. Nesse momento, ao ver as luzes e sentir os olhos ávidos pela próxima atração, preenchemos o tablado carregando mais do que as lições de giros, ximes, básicos e oitos treinados. Bailamos o amor pela dança, unidas pelo desejo de não decepcionar a incansável e talentosa professora.

Ao final da apresentação voltamos para a coxia com a sensação de que foram os minutos mais curtos de nossas vidas. É sempre assim, ensaiamos tanto, suamos, erramos, corrigimos e aperfeiçoamos para ver passar em segundos os minutos em que vemos na plateia rostos camuflados por luzes e pontos escuros naquilo que sabemos ser uma multidão.

Fim do espetáculo, todos de volta ao palco. Aplaudimos com os corações bailarinos, nos quais reinam absoluta a felicidade e o privilégio de ter participado dessa grande celebração. Nesse dia, vivenciamos as maravilhas proporcionadas pela dança do ventre: amor à música, paixão pela dança, companheirismo, amizade, comprometimento... Tudo isso conduzido por muito profissionalismo e dedicação.

E é por isso que a cada festa organizada pelo Ayuny entendo o motivo pelo qual amo e devo muito de minha alegria de viver a essa escola. E é por isso que encerramos o ano com essa linda e emocionante festa, na qual o aniversariante é que presenteia a todos os participantes com seu brilho, deixando no ar o desejo de que continue, nas próximas décadas, ensinando com a mesma dignidade, os verdadeiros pilares da milenar arte da dança do ventre. Mabruk!